PMs que abriram fogo contra inocentes na MG-010 vão a júri popular

Seis policiais envolvidos em um cerco policial em Pedro Leopoldo vão responder pelo crime de tentativa de homicídio, embora uma das vítimas tenha sido morta

Daniel Silveira - Estado de Minas

A Justiça determinou nesta terça-feira que seis policiais militares irão a júri popular pelo crime de tentativa de homicídio contra três pessoas ocorrido em fevereiro de 2004 em Pedro Leopoldo, na Grande Belo Horizonte. A decisão foi tomada pelos desembargadores da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que determinaram, ainda, que um dos seis réus responda também pelo crime de lesão corporal contra uma quarta vítima.

Os seis militares participavam de um cerco policial na rodovia MG-010, na tentativa de capturar três suspeitos de roubo. Consta no processo, segundo o TJMG, que vários motoristas foram parados pelos policiais na rodovia e os carros deles usados para o bloqueio da pista. Ao ordenarem aos ocupantes dos veículos que desembarcassem, os policiais determinaram que todos se escondessem às margens da estrada. Porém, os suspeitos que eram perseguidos se embrenharam no matagal, na mesma região em que estavam os motoristas abordados no bloqueio. Os policiais, então, abriram fogo contra todos, acertando um dos suspeitos e outras duas pessoas. Uma das vítimas, uma comerciante, morreu no local.

Segundo o TJMG, a defesa dos seis réus alegou que, por não ser possível identificar de qual arma saiu o tiro que matou a mulher, eles devem responder pelo crime de homicídio em sua forma tentada. O Ministério Público deu parecer favorável, argumentando que, por se tratar de crime de autoria incerta, todos devem ser levados a júri pelo crime de tentativa de homicídio.

Ao pronunciar a sentença, o desembargador Furtado de Mendonça destacou que os três suspeitos de roubo que estavam sendo perseguidos afirmaram não estar armados. Ressaltou ainda que nenhuma arma foi apreendida com o trio. O magistrado alegou que o júri popular deverá ser mantido, devido às evidências do crime. O voto do relator foi acompanhado pelos desembargadores Catta Preta e Denise Pinho da Costa Val.


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Polícia PELA ORDEM

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