De cada quatro presos em presídios federais um é do Rio de Janeiro

Com as transferências de FB e Claudinho CL, Rio tem 96 detentos fora do Estado




De cada quatro detentos que cumprem pena em presídios federais de segurança máxima no Brasil, um é do Rio de Janeiro. Com as recentes transferências dos traficantes Fabiano Atanázio da Silva, o FB, e Luís Claudio Serrat Correa, o Claudinho CL, presos em São Paulo, no último dia 27, já são 96 criminosos do Rio presos fora do Estado atualmente, o equivalente a 23,4% do total, de acordo com o Depen (Departamento Penitenciário Nacional).

Nas quatro penitenciárias federais, há atualmente 409 presos. O Depen não soube informar, no entanto, se o Rio de Janeiro é o Estado que mais enviou pessoas às unidades. FB e Claudinho CL foram para Mossoró, no Rio Grande do Norte, onde se juntaram a outros 53 presos, entre eles 13 do Rio (27%). Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, um dos principais traficantes da América Latina, estava em Mossoró até a última quinta-feira (2), quando foi transferido para Porto Velho (RO).
A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro informou que, desde 2007, quando o secretário José Mariano Beltrame começou a solicitar a transferência de presos para fora do Estado, mais de cem criminosos já foram enviados para presídios federais. A secretaria informou também que o afastamento dos presos da sua área de atuação acontece para quebrar o elo territorial e de comunicação dos bandidos considerados líderes de grupos criminosos.
Apesar disso, o NUCC-LD (Núcleo de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro), da Polícia Civil do Rio, revelou durante a operação Scriptus, em dezembro do ano passado, que o afastamento não impediu Beira-Mar de “lavar” R$ 62 milhões em um ano , com a montagem de um esquema formado por empresas de vários Estados brasileiros.
A cadeia com mais presos do Rio é a de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, onde estão 38 bandidos, o equivalente a 33% do total da unidade, que é de 115. Entre os considerados mais perigosos estão os traficantes Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, e Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, assassino do jornalista Tim Lopes.
Além deles, a unidade abriga os chefes da maior milícia que atua na zona oeste do Rio, como o ex-deputado Natalino Guimarães, o irmão dele e ex-vereador Jerônimo Guimarães Filho, além do ex-PM Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, considerado braço armado do grupo.
Em Catanduvas, no Paraná, há 31 presos do Rio, o equivalente a 26% do total (117), entre eles Márcio da Silva Lima, o Tola, que chefiava o tráfico nas favelas de Senador Camará e Vila Aliança, na zona oeste do Rio, e o ex-PM Francisco César da Silva Oliveira, o Chico Bala, que comanda uma milícia na mesma região.
Em Porto Velho, Rondônia, além de Beira-Mar, estão Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, principal chefe da maior facção criminosa do Rio, e seu aliado, Alexander Mendes da Silva, o Polegar, do morro da Mangueira, preso no Paraguai. Além deles, há outros dez presos do Rio, em um total de 122 internos.
Aliados e rivais ficam separados
O Depen explicou que cada um dos quatro presídios federais possui 208 vagas, com celas individuais. No regime normal, os presos têm direito a banho de sol de duas horas diárias, em grupos de, no máximo, dez presos.
Ainda segundo o órgão, ligado ao Ministério da Justiça, o setor de inteligência do sistema penitenciário faz um estudo para impossibilitar o encontro de membros de uma mesma facção ou de facções rivais. Cada penitenciária possui quatro áreas de convivência distintas, cada uma com seu espaço para o banho de sol, para separar os presos que possuam ligação ou rivalidade.


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Att,
Polícia PELA ORDEM

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