Cerco a assaltantes começa a ser montado hoje na capital

PM abre hoje operação para abordar motociclistas perto de agências e conter roubos, que dispararam no início de ano. Blitz combate também explosões de caixas eletrônicos

Junia Oliveira - Estado de Minas
Militares participaram ontem de treinamento para abordagem de motociclistas nas ruas (Beto Magalhães/EM/d.A Press)
Militares participaram ontem de treinamento para abordagem de motociclistas nas ruas




















Os primeiros 29 dias do ano registraram 72 ocorrências do assalto “saidinha de banco” em Belo Horizonte, segundo dados divulgados ontem pela Polícia Militar. O número, segundo a corporação, está dentro da média mensal dos últimos anos, mas quase metade desse total (41,6%) foi registrada na Região Centro-Sul, com 30 casos. Além do problema que já se tornou dor de cabeça para autoridades e a população, um novo fenômeno alcançou a capital, depois de várias ocorrências em cidades do interior: anteontem, houve a primeira explosão a caixa eletrônico em BH, numa agência da Rua Jacuí, no Bairro Nova Floresta, na Região Nordeste. A modalidade está sendo considerada pelas autoridades a mais recente forma de atuação dos criminosos. Os crimes relacionados a bancos obrigaram as polícias Civil, Militar e até mesmo o Corpo de Bombeiros a montar uma força-tarefa para tentar coibir a ação dos bandidos. 

Os trabalhos começaram ontem, com o lançamento da Operação Saque-Seguro. A partir de hoje, motociclistas e pessoas em atitude suspeita que estiverem perto dos bancos serão abordadas por policiais. Das 72 saidinhas de banco de janeiro, em 62 delas os bandidos usaram a motocicleta como veículo de apoio. Em 69 casos, eles estavam armados. Por isso, os principais alvos serão motociclistas parados perto de bancos ou de caixas eletrônicos em postos de combustível. “As abordagens surpresa ocorrerão nos horários de funcionamento das agências e fora deles. Se nada for constatado, a viatura seguirá para outro local”, afirma o coronel Luiz Rogério de Andrade, comandante do Policiamento da Capital.

Entre os dias 1º e 29 de janeiro, segundo levantamento da PM, dos 72 casos de saidinhas de banco 61% foram ações planejadas. Depois da Centro-Sul, a Região Noroeste registrou o maior número de casos (18), seguida pela Leste (10), Norte e Barreiro (5), Venda Nova (3) e Oeste (1). No entorno do Bairro Caiçara, onde a Avenida Catalão é uma importante rota de fuga, e da Savassi, houve os maiores números de casos, com 12 e nove, respectivamente. Quinta e sexta-feira são os dias preferidos dos bandidos, que atuam, principalmente, das 13h às 15h, horário em que as agências estão abertas. 

EXPLOSÕES A Operação Saque-Seguro tem ainda o objetivo de coibir as explosões a caixas eletrônicos. O primeiro caso em BH alarmou as autoridades. O chefe do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), Islande Batista, diz que a modalidade chegou a Minas há cerca de nove meses e estava concentrada no Triângulo Mineiro, principalmente em Uberlândia e Uberaba, áreas próximas a São Paulo, onde esse tipo de crime é comum. “Os bandidos verificaram que, mesmo causando uma explosão, o tempo entre a ação e a evasão do local dura menos de 1,5 minuto”, afirma. Segundo o delegado, as quadrilhas que agem nesses locais seriam do estado paulista. 

O delegado cobra mais eficiência também dos bancos: “Eles não investem em segurança. Muitos não puseram biombo nos caixas e ainda permitem que as pessoas usem o celular (proibido por lei federal). As investigações mostram que a maioria dos envolvidos tem passagem pela polícia e estava no interior do banco passando informações a alguém fora dele”. 

Volta às aulas
A Polícia Militar começa, na segunda-feira, operação preventiva nas escolas públicas e particulares de Belo Horizonte. Além do trânsito, pais, professores e estudantes serão orientados sobre a campanha. Num primeiro momento, será feito um diagnóstico da situação de risco e da vulnerabilidade do local. “Nesse levantamento, avaliaremos se a escola tem muro, vigilante, se há bares no entorno, se já foi arrombada, com que frequência as viaturas são chamadas, entre outros”, diz a tenente Débora Santos, assessora de comunicação do Comando de Policiamento da Capital. 

Na fase seguinte do programa, haverá palestras para selar o compromisso pela segurança, que servirá também para a prevenção da criminalidade em geral. “Queremos implementar antes do carnaval. O aluno levará uma cartilha para casa e, junto com os pais, marcará os pontos que eles se comprometem a seguir. Depois das festas, será feita uma avaliação do que foi efetivado ou não”, ressalta a tenente Débora.


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Polícia PELA ORDEM

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