Desabrigados pela chuva entram em confronto com a PM em Betim

O grupo queimou pneus e sofás em protesto contra os estragos que a chuva provocou na cidade

Gabriela Pacheco - Aqui Betim - Site do Estado de Minas
Um morador levou socos e chutes de policiais que acompanhavam os protestos (Edesio Ferreira/EM/D.A.Press)
Um morador levou socos e chutes de policiais que acompanhavam os protestos
 
Uma manifestação de moradores do Bairro Nossa Senhora de Fátima, desabrigados devido às inundações, acabou em  conflito com a Polícia Militar, no início da tarde desta terça-feira. Os moradores fecharam dois trechos da Rua Tocantins para exigir melhorias no bairro, que teve algumas ruas inundadas na segunda-feira. O protesto começou de forma pacífica com os manifestantes queimando pneus e móveis. Mas algumas pessoas impediram motoristas de trafegar por outro trecho da rua e a situação ficou crítica. Um morador teria empurrado e gritado com um militar, que respondeu com empurrões e chutes. Outras pessoas e militares se aproximaram para separar a briga, o que gerou novas agressões. Uma mulher chegou a ser golpeada no conflito.
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Ninguém ficou seriamente ferido, mas dois moradores deixaram a cena com lesões leves. Helenita Gomes, de 20 anos, relata ter empurrado o policial para separar a briga. "Falei com ele ‘para moço’ e ele me mandou sair dali e me empurrou. Tentei de novo e ele me chutou", conta. "Vou fazer um exame de corpo delito e uma ocorrência contra ele".

De acordo com o Tenente Rangel, da 188ª Cia do 33º Batalhão da Polícia Militar, os militares tinham estabelecido um combinado com os moradores, que se comprometeram a deixar o local pacificamente para negociar com a prefeitura a situação. "Organizamos junto à Regional Alterosas uma reunião, mas do mesmo modo eles quiseram impedir os outros veículos de passarem na rua, e isso a gente não pode admitir. A gente agiu contra os manifestantes que estavam na rua", afirma. Mesmo com a briga entre militares e moradores, o tenente acredita que não houve excessos na ação dos policiais. "Eu penso que não. Posteriormente a gente pode ver imagens e apurar a respeito disso, mas do que estava no local acho que foi normal", comenta.

Um dos militares chegou a correr com a arma na mão em direção ao manifestante (Edesio Ferreira/EM/D.A.Press)
Um dos militares chegou a correr com a arma na mão em direção ao manifestante
A manifestação começou por volta das 11h, quando os moradores juntaram pneus, sofás e pedaços de madeira ao longo da rua, fechando o trânsito. Logo, eles atearam fogo nos objetos e começaram a gritar exigindo que o problema de inundações fosse resolvido. A principal reivindicação dos moradores é que a prefeitura confirme mudanças físicas no local. Porém, a área é condenada pela Defesa Civil e não haveria possibilidade de mudanças estruturais para resolver o problema das inundações.

Uma das principais causas da força das águas no lugar é a proximidade com a lagoa Várzea das Flores. O córrego que passa pelo bairro recebe toda a água que transborda da lagoa quando chove. De acordo com a prefeitura, uma das soluções possíveis é a construção de uma comporta na bacia da Várzea das Flores. A prefeitura vem discutindo isso com a Copasa, que é a responsável pela lagoa. Na noite de segunda-feira, a Defesa Civil foi ao local, juntamente com os Bombeiros, e retirou todas as famílias que se dispuseram a deixar suas casas. Somente após a manifestação dos moradores, que a Defesa Civil conseguiu voltar ao local com o aval da comunidade para continuar os trabalhos de limpeza. A prefeitura informou que durante a tarde, foi feita a limpeza das casas e mudança de quem permitiu.


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Polícia PELA ORDEM

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