Disque-denúncia do Sinpro já registrou 106 relatos de violência contra educadores


Sindicato divulgou balanço que traz números de violência em escolas públicas e privadas, de fevereiro a agosto deste ano. São denúncias de ameaça, intimidação e agressão

Junia Oliveira - Luana Cruz - Estado de Minas

As estatísticas de violência nas escolas de Minas Gerais deixam um alerta para a segurança de professores e alunos. O Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas) divulgou nesta segunda-feira um balanço de ligações feitas para o disque-denúncia, número 0800-770-3035, criado para registrar casos de agressões – verbais e físicas – ocorridas dentro dos colégios. 

De fevereiro a agosto deste ano, o 0800 recebeu 40 ligações com denúncias relativas a escolas privadas. Nesses telefonemas foram relatados 53 casos de violência, sendo 24 ocorrências de ameaça e intimidação, nove de agressão verbal, duas de agressão física, uma de tráfico de drogas e 17 de assédio moral (violência psicológica, entre outras). Também foram registradas 43 ligações com informações de escolas públicas. Segundo o Sinpro, no total são 106 denúncias de violência dentro das instituições mineiras. 

Em fevereiro deste ano o sindicato lançou o disque-denúncia, ferramenta que tem o objetivo de reduzir a violência e tragédias, como a que comoveu BH em dezembro de 2010. O professor Kássio Vinícius Castro Gomes, de 39 anos, foi brutalmente assassinado pelo estudante de educação física Amilton Loyola Caires, de 23, no Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, na capital. 

O presidente do Sinpro, Gilson Reis, afirma que a situação em Minas é preocupante, porque o sindicato está tentando promover uma cultura de paz, mas não está tendo sucesso. Segundo Reis, as denúncias foram repassadas ao Conselho Estadual de Educação, que ainda não se posicionou sobre o assunto. O Ministério do Trabalho também teve acesso aos números e vai criar uma ouvidoria para receber denúncias. A Secretaria Municipal de Educação também vai trabalhar com as informações sobre escolas públicas de BH. 

Uma das ações criadas pelo sindicato, em parceria com o poder público, é o Fórum Técnico de Segurança das Escolas, que acontece nesta semana na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O objetivo do encontro é discutir problemas e soluções para os crimes na escolas. 

Sobre a posição das instituições particulares, o Sinpro informou que, de todas as denúncias, somente em um dos casos o aluno foi afastado por um tempo, na tentativa de preservar a segurança do professor. Segundo Reis, isso mostra certa negligência por parte das escolas privadas. 

Campanha pela paz

O 0800 funciona em dias úteis, das 9h às 13h e das 14h às 18h, e faz parte da campanha pela paz nas escolas. Pelo telefone, professores e outros profissionais da educação podem relatar os casos de violência, tendo garantia de absoluto sigilo da identidade.

O Sinpro lançou também anúncios em TV, rádio e jornais alertando sobre a violência nas escolas. O sitewww.paznasescolas.org.br faz parte dessa campanha traz os dizeres “tem algo errado quando a sala de aula vira campo de batalha”.


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