Dnit admite que quase 60% das rodovias federais em Minas oferecem perigo

 Site oficial do Dnit recomenda cuidado aos motoristas

Gustavo Werneck - Estado de Minas
Publicação: 28/09/2011 06:00 Atualização: 28/09/2011 06:59
Acidente em Betim, em trecho considerado de risco médio pela classificação oficial: alegação é de que maior parte dos problemas se deve  a obras (Edesio Ferreira/EM/D.A Press)
Acidente em Betim, em trecho considerado de risco médio pela classificação oficial: alegação é de que maior parte dos problemas se deve a obras




















A aproximação da temporada das chuvas, prevista para fins deste mês e início de outubro, acende o alarme quanto às condições das rodovias federais que cortam Minas. E o alerta parte do próprio braço do Ministério dos Transportes encarregado de zelar pela malha rodoviária do país, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Segundo o órgão federal, as mais importantes e extensas estradas encontram-se em obras de ampliação, manutenção e algumas têm buracos, ondulações e barreiras caídas. De acordo com o alerta aos motoristas no site do departamento (www.dnit.gov.br), em 4.569 quilômetros das BRs 381, 040, 262, 116, 135 e 365 no estado, há 2.670 quilômetros (58,4%) que exigem cuidados redobrados. O risco representado pelas obras ficou evidente nessa terça-feira, em um acidente que matou três pessoas nas obras de recapeamento da BR-262 na Região Central do estado. Especialistas alertam que, com as tempestades características da próxima estação, os perigos vão aumentar, diante da perda de visibilidade e da sinalização precária em muitos trechos.

O Dnit classifica as condições de suas vias no site por meio de cores. Onde a situação é boa, o verde deseja “boa viagem”. É o que ocorre na maior parte dos 424 quilômetros da BR-040 entre Paracatu e Felixlândia, por exemplo. Em toda a malha estadual, são 1.899 quilômetros em condições consideradas positivas pelos critérios do departamento, o que correspondente a 41,6% das estradas observadas.

Os problemas começam onde a luz amarela indica locais em que o Dnit recomenda “atenção”, por causa de buracos, operações de recapeamento e da sinalização deficiente para informar aos motoristas sobre obstáculos e cuidados na via. Esse tipo de situação se encontra mais evidente nos 163,7 quilômetros da BR-365, entre Uberlândia e a divisa com Goiás, no pontal do Triângulo. Essas são as características encontradas em 541,7 quilômetros, o correspondente a 11,8% do total avaliado.

A indicação vermelha de “cuidado”, reservada à maior parte dos trechos das seis vias, alerta para locais onde os riscos são maiores, devido a longos trechos de obras com tráfego pesado de caminhões, guindastes, tratores e outras máquinas. Essa é a situação em 438 quilômetros da BR-135, de Curvelo, na Região Central, a Itacarambi, no Norte de Minas. Não há informações no site sobre o trecho de 231,2 quilômetros da mesma rodovia delegado ao Departamento de Estadas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG). 

ADVERTÊNCIA A sinalização das obras é a maior preocupação do especialista em transporte e trânsito pelo Instituto Militar de Engenharia do Rio de Janeiro Paulo Rogério da Silva Monteiro. “As placas e marcações provisórias nunca são tão boas quanto as definitivas. Muitas delas não acompanham a evolução das obras. Dependendo da chuva, além da visibilidade ruim, muito material, como terra e minério, é carreado para a estrada, piorando a aderência dos veículos”, disse.

Segundo o chefe do Departamento de Engenharia de Transportes e Geotecnia da Escola de Engenharia da UFMG, Nilson Tadeu Nunes, as obras avançam pelo período de chuvas por causa das dificuldades de liberação de verbas. “Obviamente, nas estradas em obras é preciso mais cuidado. O que acontece nessa época é que a intervenção certamente vai atrasar, porque não vai dar para construir quando chover mais. Serviços como a terraplanagem não podem ser feitos sob qualquer condição”, diz.

O inspetor Aristides Amaral Júnior, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), acha que vale a pena enfrentar o risco agora se for para ter estradas melhores. “Estivemos muito tempo sem obras e elas são bem-vindas. Geram transtorno, mas é melhor passar por isso e ter depois vias em melhores condições”, pondera. O Dnit informou apenas que as obras prosseguirão durante as chuvas e que 90% dos trechos em alerta estão sob manutenção ou construção.

Trabalhar nas BRs também pode matar

O alerta sobre os riscos de trechos em obras não vale apenas para motoristas, mas também para aqueles que trabalham nas intervenções. Foi o que ficou comprovado de forma trágica em acidente envolvendo uma cegonheira no km 170 da BR-262, em São Domingos do Prata, na Região Central, a 160 quilômetros de Belo Horizonte, que deixou três operários mortos e dois feridos. De acordo com agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o desastre ocorreu por volta das 12h, num trecho em recapeamento. Os serviços são executados pela empresa Sinter, contratada pelo Dnit.

Dois operários foram atropelados e morreram no local. Eles não puderam ser identificados de imediato por estarem sem documentos, de acordo com os agentes. O terceiro, Robson Prates da Silva, foi levado com lesões graves para o Hospital Margarida, em João Monlevade, na mesma região, mas morreu durante o atendimento. Ficaram feridos Daniel Aparecido Teixeira Viera, com lesões graves, e Libério Cristiano Ferreira Lopes, com ferimentos leves.

O trecho onde ocorreu o acidente estava interditado no sentido Belo Horizonte. Os agentes informaram que a cegonheira seguia de Vitória (ES) para Anápolis (GO), carregada de veículos, atrás de um caminhão. Ao chegar ao local, o caminhão desviou para a esquerda, observando a sinalização, mas o segundo caminhoneiro, Paulo César Dias de Souza, de 30 anos, não fez o mesmo, batendo em uma máquina e atropelando os trabalhadores. 

Paulo César foi encaminhado à delegacia de São Domingos do Prata. Os agentes explicaram que o tacógrafo da cegonheira, que nesses casos só pode ser retirado durante a perícia, foi levado por um funcionário da empresa, mas, depois de buscas, foi recuperado pela polícia. 

O EM entrou em contato com o Dnit, mas não obteve resposta sobre as condições da obra.


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