Destaques do Jornal Estado de Minas


Choro e revolta marcam blitz da Lei Seca em Belo HorizonteMotoristas vivem madrugada de angústia, ansiedade, choro e revolta diante do bafômetro. Reclamações continuam nos corredores da Delegacia de Trânsito

Publicação: 26/09/2011 06:11 Atualização: 26/09/2011 06:39
Em cinco horas de inspeção, 63 condutores foram abordados pelos policiais. Resultados da noite de fiscalização: 10 infrações de trânsito aplicadas, duas pessoas detidas, duas motos e três veículos apreendidos (Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Em cinco horas de inspeção, 63 condutores foram abordados pelos policiais. Resultados da noite de fiscalização: 10 infrações de trânsito aplicadas, duas pessoas detidas, duas motos e três veículos apreendidos
“O senhor não vai parar de soltar o ar enquanto eu não falar para o senhor parar. Alguma dúvida, senhor?”, instrui o soldado Ribeiro. Aparentando nervosismo, o motorista Ricardo Bruno Teodoro, de 25 anos, enche o peito e sopra o bafômetro. O silêncio impera até o aparelho registrar 0,00mg/l de teor etílico. Aliviado, Ricardo, que voltava da casa da namorada, é liberado e confessa: “Fiquei até em dúvida se não tinha bebido nada mesmo”. E, assim, por volta das 23h de sexta-feira, começa a blitz da Lei Seca, em mais uma caça aos embriagados ao volante em Belo Horizonte.

Até quase as 5h, na Avenida Brasil, quase esquina com Avenida Francisco Sales, e depois na Avenida do Contorno, em frente ao Hospital da Polícia Militar, ambos no Bairro Santa Efigênia, na Região Leste, serão muitos dilemas diante do bafômetro. Momentos de dúvida, choro, revolta, alívio e discussão em torno de índices até então pouco conhecidos, mas que se tornam inesquecíveis para condutores flagrados pela Lei Seca linha-dura. Haverá também espaço para descontração, na passagem de um ônibus-boate pela blitz, que, apesar de não ter sido parado, causou furor ao cruzar o bloqueio policial.

Não era nem meia-noite, hora de maior movimento durante a operação, quando 0,37 miligramas de álcool por litro de sangue, registrados no bafômetro, sujaram a ficha de Fernanda Gonzaga, que foi parar na delegacia. A jovem, uma das poucas mulheres que passaram pela blitz, recebeu a notícia com resignação. Com o carro rebocado, de chinelo e abraçada às sandálias salto 15, ela se despediu dos policiais, às 2h da madrugada, antes de entrar na viatura a caminho do Departamento de Trânsito de Minas Gerais. “Foi um prazer conversar com vocês, desculpem qualquer coisa.”

Para quem ainda não tem intimidade com o tema, até 0,13mg/l, o condutor é liberado. De 0,14mg/l a 0,33mg/l, o condutor é multado em R$ 957,70, perde sete pontos na carteira nacional de habilitação (CNH), que é recolhida por três dias, e vira alvo de processo administrativo, com chance de ter o documento suspenso por um ano. A sanção é a mesma de quem não sopra o bafômetro. Acima de 0,34mg/l, o motorista é enquadrado em crime de trânsito. Além da multa e dos pontos na carteira, ele tem o carro rebocado, vai para a delegacia e sai se pagar a fiança, ponto de partida de um processo que culmina com a cassação da CNH.

Mas, na blitz da Lei Seca, tem gente que é preso por outros motivos, como o motociclista Carlos, que viveu, na noite de sexta-feira, uma perseguição policial. Ele tentou desviar do bloqueio formado pela PM, Guarda Municipal e Polícia Civil, entrou na contramão e foi parar na delegacia, por direção perigosa. Uma tentativa de fuga à toa. No teste do bafômetro, Carlos teve índice de 0,12 mg/l, dentro do limite. “Tomei meia garrafa de Cortezano (vermute) antes de sair de casa”, contou o rapaz, que ia a uma festa de funk na Savassi.

Meia garrafa pode?

Os policiais alertam que cada organismo reage de uma forma à ingestão de álcool e, portanto, para dirigir e estar dentro da lei, a orientação é não beber. Mas fato é que o papo sobre miligramas e bebidas rende numa blitz. Uma “taça generosa de vinho”, num jantar em comemoração aos “vinte e tantos anos” de casamento, fez com que motorista de 53 anos, que não quis se identificar, alcançasse 0,19mg/l no teste. Resultado? Processo administrativo nas costas e a necessidade de o filho do casal resgatar os pais e dirigir o veículo. “O Estado quer é arrecadar dinheiro”, disse o condutor.

Dois copinhos de cerveja também fizeram o caminho até o show do Metallica sábado no Rock in Rio ficar mais longo para o engenheiro F.B., de 27, flagrado com 0,21mg/l no organismo. Nervoso, na primeira tentativa em soprar o aparelho o jovem fracassou. “Estou ficando constrangido em soprar isso na frente de todo mundo”, disse o rapaz, que fez o teste atrás da viatura. “Agora, vou ter de ir de avião para o show”, contou, depois do resultado.

O teste também não funcionou para o técnico de enfermagem Anderson Brandão, de 32. Debilitados por uma pneumonia, os pulmões do motorista não foram capazes de lançar ar suficiente no bafômetro. “Não tenho força. Se quiserem, posso fazer o quatro”, disse o rapaz, liberado pelos policiais, sensíveis à situação de Anderson, um dos 63 abordados da operação acompanhada pelo Estado de Minas, que resultou em 10 infrações de trânsito, dois presos, três veículos e duas motos apreendidos, e em algumas vidas a salvo.

Incêndio compromete abastecimento de água na Grande BH

Publicação: 25/09/2011 17:58 Atualização: 25/09/2011 18:39
Helicóptero da Polícia Militar ajuda o Corpo de Bombeiros e o brigadistas que tentam apagar as chamas do Parque do Rola-Moça (Paulo Filgueiras/EM/D.A/Press)
Helicóptero da Polícia Militar ajuda o Corpo de Bombeiros e o brigadistas que tentam apagar as chamas do Parque do Rola-Moça


O abastecimento de água foi interrompido na tarde deste domingo em alguns bairros próximos ao Parque Estadual da Serra do Rola Moça e o condomínio Retiro das Pedras, entre Brumadinho e Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Por causa do incêndio que atinge o parque desde sexta-feira, a rede elétrica foi atingida nesse sábado e comprometeu o sistema que alimenta o abastecimento de água na região. 

Técnicos da Cemig foram enviados ao local e a energia elétrica restabelecida por volta das 17h20 deste domingo. Faltaram água nos bairros Independência e Mineirão, em Belo Horizonte, Retiro das Pedras, em Brumadinho, Águia Dourada, Nossa Senhora de Lourdes e Primavera, em Ibirité e Jardim Canadá, em Nova Lima.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o combate às chamas permanecia até o início da noite deste domingo. Atuam no local 27 bombeiros e alguns brigadistas do parque, com apoio dos helicópteros da Polícia Militar e do Instituto Chico Mendes. Foram queimados aproximadamente 150 mil m² de vegetação. 

Serra do Cipó


O fogo também atinge neste domingo a vegetação na Serra do Cipó, na região Central do Estado. Segundo os bombeiros, as chamas já consumiram pelo menos 500 mil metros quadrados de área. Atuam no cambate às chamas 20 bombeiros e 50 brigadistas do Ibama, com apoio do helicóptero do Corpo de Bombeiros. Já foram destruídos aproximadamente 500 mil m² de área. 

Serra do Curral

Na Serra do Curral, no Bairro Mangabeiras, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, o fogo começou por volta das 13h deste domingo. Segundo os bombeiros, as chamas atingem a mata do Parque Mangabeiras e não há risco de se propagar para as áreas de lazer e de serviços do parque, assim como as residências próximas a região. Na noite desse domingo, os bombeiros informaram que o fogo não havia sido controlado e existem vários focos de incêndio. Atuam oito militares e treze brigadistas. A área queimada não foi mensurada.

Homem é morto e outro ferido em tiroteio em Esmeraldas

Publicação: 25/09/2011 16:01 Atualização:
Dois homens foram baleados na tarde deste domingo no Bairro Recreio do Retiro, em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. As vítimas foram socorridas, mas uma delas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Segundo informações preliminares, passadas pela Polícia Militar, o crime aconteceu por volta das 13h, na Rua Antônio Martins de Melo. Os criminosos teriam passado pelo local de carro e atirado diversas vezes contra os dois homens.

Eles foram socorridos e encaminhados para a policlínica de Nova Contagem, onde um permanece internado. Já os criminosos fugiram e não tinham sido identificados até a tarde deste domingo. O será investigado pela Polícia Civil.


Apito solidário espanta ladrões no interiorExperiência bem-sucedida em BH, Rede de Vizinhos Protegidos se estende pelo interior, em uma tentativa da população de barrar o crescimento da criminalidade

Publicação: 26/09/2011 06:08 Atualização: 26/09/2011 06:10
Cidades pacatas, típicas do interior e livres do pesadelo da violência se tornaram meras lembranças de um tempo que insiste em não voltar. Problemas característicos de grandes centros estão cada vez mais presentes em municípios de médio e pequeno porte. Se antes deixar o portão aberto e passear com tranquilidade pelas ruas era uma cena do dia a dia, agora, investir em sistemas de segurança, como cercas elétricas e câmeras de vigilância, virou rotina. Dados da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) mostram que os crimes violentos estão concentrados na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no Triângulo Mineiro, no Noroeste do estado e em municípios como Governador Valadares (Vale do Rio Doce), Montes Claros e Pirapora (Norte de Minas). Para conter o avanço da criminalidade, ganha força uma experiência de sucesso na capital: a Rede de Vizinhos Protegidos. Os moradores do interior estão trocando a cadeira na porta da rua por apitos e muita atenção.

A fórmula é simples: diante de qualquer atitude suspeita, basta soprar o apito. Esse é o instrumento que os vizinhos têm para informar uns aos outros de que algo não vai bem. O som de um é seguido por vários ao mesmo tempo. E, imediatamente, a Polícia Militar é chamada para conferir se a suspeita tem fundamento. A PM ainda não sabe quantos municípios já aderiram à rede, mas garante que ela está em expansão. Qualquer uma das 853 cidades mineiras pode participar. Para isso, basta que a comunidade procure o batalhão mais próximo. O assessor de imprensa da PM em Minas, capitão Gedir Rocha, diz que a tendência de redução da criminalidade é de 30% a 40%. “Se você começa a apitar avisando que há um estranho, gasta dinheiro? Não, gasta solidariedade, preocupação, zelo e amizade.”

Segundo ele, vários fatores contribuem hoje para a expansão da criminalidade para o eixo fora dos grandes centros urbanos. “Muitas cidades do interior não são interior, com grandes obras, muitas universidades e empresas chegando. Em municípios onde as pessoas se conheciam e se comunicavam, o crescimento está encerrando essas relações. Além disso, há a impunidade na qual as pessoas acreditam e o avanço do crack. Até mesmo a tradição de família, a responsabilidade em saber onde o filho está, com quem ele anda e se ele está na escola ou não acabou”, afirma o capitão. “ A rede dá certo porque a ideia é a retomada da sociedade do espaço que é seu, com a aglomeração de pessoas que querem a mesma coisa: rua limpa, prédios e casas que não sejam pichadas, ruas iluminadas, árvores podadas. E disso a sociedade toma conta”, acrescenta.

Ipatinga (Vale do Aço), Viçosa (na Zona da Mata), Conselheiro Lafaiete, Itabira, João Monlevade e Ouro Preto (Região Central) são exemplos de como a Rede de Vizinhos Protegidos está dando certo. Na cidade histórica, a comunidade do Morro São Sebastião procurou a PM em julho de 2010 por causa de uma série de arrombamentos. Segundo os militares, desde a implantação do projeto, já houve redução de índices de furtos e arrombamentos no bairro.

Primeiros frutos

Em Itabira, a 100 quilômetros de BH, o programa implantado no início do ano no Bairro 14 de Fevereiro também já colhe os primeiros frutos, com a redução de 36% dos crimes contra o patrimônio de janeiro a agosto, na comparação com o mesmo período de 2010. De 22 casos, passou-se para oito. Em 2008 e 2009, foram 17 e 21, respectivamente, também nos oito primeiros meses de cada ano. Em toda a cidade, cuja população é de aproximadamente 110 mil habitantes, foram registrados 287 arrombamentos a casas em 2007; 357 em 2008; 263 em 2009; 360 em 2010 e 231 em 2011. O número de homicídios, que chegou a 13 nos oito primeiros meses de 2007, está em sete este ano.

“A queda nos números demonstra que a rede é uma boa ferramenta no sentido de prevenção, mas só funciona onde há mobilização comunitária. A polícia não está transferindo responsabilidades, mas é importante que a população entenda seu papel no programa, pois ele não é uma brincadeira e deve ser levado muito seriamente”, afirma o comandante do 26º Batalhão, tenente-coronel Edvanio Rosa Carneiro, de Itabira. Ele ressalta que a rede é apenas uma das estratégias de prevenção, entre várias outras.

O operador de equipamentos Nilson Pereira Cunha, de 42 anos, um dos articuladores da implantação do programa no 14 de Fevereiro, comemora os resultados. “A maioria dos nossos moradores é de aposentados e o bairro está na entrada da cidade, o que traz um grande fluxo de pessoas. O marginal pode ser analfabeto, mas vai reconhecer a placa da PM nos portões. Ele pensará que só mora polícia ou que a PM está aqui. Ficará receoso e vai procurar outra área”, diz.


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Polícia PELA ORDEM

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