Mulheres agem em dupla na Feira Hippie e, em 5 segundos, roubam dinheiro e celulares


São mulheres bonitas, bem vestidas, com idade entre 25 e 75 anos, conhecidas como as "batedoras de carteira"

Publicação: 15/08/2011 07:20 Atualização: 15/08/2011 07:41
Policiais fazem ronda entre os corredores da feira, mas associação dos expositores afirma que efetivo é insuficiente  (Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Policiais fazem ronda entre os corredores da feira, mas associação dos expositores afirma que efetivo é insuficiente





















A prática de roubos dentro da Feira de Arte, Artesanato e Variedades da Avenida Afonso Pena é tão antiga quanto o próprio evento. Entretanto, nos últimos meses, a ousadia dos criminosos tem assustado frequentadores, feirantes e até policiais. E o perfil dos autores já foi traçado: são mulheres bonitas, bem vestidas, com idade entre 25 e 75 anos, conhecidas como as “batedoras de carteira”. Alguns já suspeitam que uma gangue feminina atue no lugar. Balanço da Polícia Militar indica que, a cada domingo, em apenas três horas de feira – entre às 10h e às 13h – cerca de 30 furtos são registrados, um a cada seis minutos. O horário é o de maior movimento.
Elas aproveitam a distração das consumidoras e usam um canivete para rasgarem as bolsas. Em apenas cinco segundos, furtam documentos e dinheiro. Quem frequenta a feira é sempre recomendado a tomar cuidado, mas, de uns tempo para cá, o aviso não tem surtido efeito. Ontem, o Estado de Minas percorreu esses corredores e o mais intrigante é que aquelas que praticam o furto são conhecidas de todos. “Geralmente, elas agem em duplas. Enquanto uma distrai uma cliente, a outra aproveita para furtar”, conta o feirante Newton Alves. Segundo ele, duas dessas mulheres, que aparentam ter 40 anos, são moradoras do Bairro Santa Efigênia. “A gente sabe quem elas são. Por isso, quando chegam, ficamos atentos. Quando praticam o crime, chamamos a polícia, mas não adianta. São levadas à delegacia e voltam no mesmo dia”, reclama.

De tão conhecidas e tradicionais no lugar, elas acabam repetindo a prática em determinadas barracas, como foi o caso de uma senhora de 75 anos que furtou os expositores Ronilda e Marco Antônio Guimarães. Vendedores de bijuterias, eles contam que há pouco tempo essa idosa levou um colar. “Corri atrás dela e ela teve que devolvê-lo. No outro domingo voltou, mas logo a mandei embora”, conta Ronilda. Marco diz que, como elas andam com armas brancas, cortam as lonas das barracas e até mesmo o fundo das bolsas de clientes. “É tudo tão rápido que ninguém percebe. Quando sentem falta de algo, elas já sumiram”, diz, lamentando que o crime afaste consumidores.

GANGUE

No mês passado, o diretor da Associação dos Expositores da Feira, Gilberto Assis, prestou depoimento no Fórum Lafayette contra uma ladra que, há tempos, engana artesãos com cheques sem fundos. “Existe uma verdadeira gangue de mulheres na feira”, diz, reconhecendo que, por ser cometido pelo sexo feminino, o crime não é fácil de ser resolvido pela polícia. “Se não houver uma policial para revistá-las, não tem como detê-las. Há domingos em que o policiamento é menor e o número de furtos é grande”, conta.

O pior fica para a clientela. No domingo retrasado, antes do Dia dos Pais, comemorado ontem, a decoradora Kelly Camillozzi foi uma das vítimas das “batedoras de carteiras”. “Tinha acabado de chegar ao setor infantil. Estava com a bolsa rente ao corpo e, quando fui pagar o que tinha escolhido, vi que estava sem a minha carteira e documentos. Levaram R$ 150”, lamenta. Em busca de socorro, ela gastou 40 minutos para achar um policial. “ Fui à delegacia e havia 12 pessoas com o mesmo problema, uma cliente, inclusive, tinha a bolsa rasgada com um corte de 25 centímetros feito por um canivete.” Kelly diz ser a primeira vez que passa por isso, depois de 20 anos frequentando o lugar. “Quando fui em busca da polícia, vi uma mulher muito bem vestida sentada no chão. Ela se arrastou para dentro das barracas. Tenho certeza que foi ela quem me furtou. Tive medo de abordá-la. Desse jeito, ninguém vai querer voltar.”

De acordo com informações da 4ª Companhia da Polícia Militar, os crimes são cometidos principalmente nos primeiros domingos do mês, época em que os consumidores estão com mais dinheiro no bolso. O alvo, conforme alerta a tenente Ângela de Nascimento, do 1º Batalhão da PM, são as mulheres. “A consumidora se distrai com as mercadorias e, ao ver uma senhora próxima a ela, não estranha. É nesse momento que é furtada”, explica a tenente. “Mas não há indícios que configurem atos de quadrilhas ou gangues”, completa. “Elas são, na maioria, do Bairro Serra, na Região Centro-Sul. São oportunistas.”

O setor mais visado pelas batedoras de carteira é, segundo conta a tenente, a parte de bolsas e sapatos. A principal dica dada pela polícia é que os consumidores coloquem a bolsa na frente do corpo e segurem-na com firmeza. Outro pedido é para desconfiar de todos.

Fonte: Site do Jornal Estado de Minas


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Polícia PELA ORDEM

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