MG concentra mais da metade de apreensões de ecstasy e LSD no ano


Segundo PF, maioria da droga apreendida sai da Holanda e da Bélgica.
Aeroportos de RJ e de SP seriam evitados por causa da fiscalização.

Do G1 MG
Mais da metade das apreensões de ecstasy e LSD (ácido lisérgico) feitas pela Polícia Federal em 2011 aconteceram no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Região Metropolitana de BH. Segundo a PF, no Brasil, até junho de 2011, foram apreendidos em aeroportos aproximadamente 171 mil comprimidos de ecstasy e cerca de 44 mil micropontos de LSD. No Aeroporto de Confins, na mesma época, foram aproximadamente 92 mil comprimidos de ecstasy e cerca de 25 mil micropontos.
No Aeroporto de Confins, um jovem de 22 anos, carioca e de classe média, desembarca de um voo da Europa. A Polícia Federal encontra em um fundo falso da bagagem dele 30 mil comprimidos de ecstasy. Em depoimento à polícia, o suspeito disse que recebeu de traficantes a passagem e o dinheiro para ficar 20 dias na Europa. Em troca, ele teria que pegar a droga na Holanda e embarcar para o Brasil. Ele ainda iria receber R$ 20 mil quando terminasse a entrega.


De acordo com a polícia, jovens de classe média têm viagens para a Europa pagas por traficantes para entrar com grandes quantidades de LSD e comprimidos de ecstasy no Brasil. A polícia chama este novo tipo de crime de “narcoturismo”.
No mesmo aeroporto, outro jovem vindo da Europa é parado pela polícia com uma bagagem suspeita. Dentro da mala, uma cartela com vários micropontos de LSD.
O delegado Bruno Zampier explica que os jovens aceitam a proposta para se divertir na Europa à custa dos traficantes. “É um verdadeiro “narcoturismo”. Além de aceitar a proposta profissional, que é ir buscar a droga, eles aceitam também pelo fato de ter uma viagem pela Europa custeada e, lá na Europa, poder se divertir às custas da quadrilha que o contratou”, disse.
Todo passageiro, ao desembarcar no Brasil vindo do exterior, tem que se apresentar à alfândega. O funcionário da Receita Federal decide quem vai ter a bagagem vistoriada. Depois, a mala passa por um detector, que é capaz de identificar qualquer objeto suspeito. Se algo chamar a atenção, a bagagem é aberta. Foi desta forma que três jovens foram presos em flagrante com drogas na bagagem em maio deste ano, em Confins.
Ainda segundo o delegado, os traficantes preferem evitar os aeroportos do Rio de Janeiro e São Paulo. “Como no Galeão (Rio) e em Guarulhos (SP) há uma constância maior de voos e, consequentemente, um número maior de servidores públicos ali atuando, os traficantes acreditam que aeroportos como Confins, Salvador, Recife, aeroportos que concentram menor número de voos estrangeiros, voos internacionais, eles serão portas de saída e entrada mais fáceis para o narcotráfico”, falou.
De acordo com a PF, o ecstasy e o LSD, normalmente, vêm da Bélgica e da Holanda, maiores produtores de drogas sintéticas do mundo. Ainda segundo a polícia, pessoas de várias partes do país embarcam para a Europa por diversos aeroportos brasileiros. Na volta, muitas pegam um voo que sai de Portugal direto para o Aeroporto Tancredo Neves. O delegado explica que traficantes escolhem os jovens de melhor aparência, mais bem vestidos. “Eles passam com muito mais facilidade tanto nos controles migratórios do Brasil quanto da Europa. Eles têm uma boa aparência, normalmente eles sabem falar um idioma estrangeiro, falam bem inglês”, disse.
Outro jovem que mora no na Região Sul do país contou à polícia que havia viajado quatro vezes para buscar drogas antes de ser preso com 30 mil comprimidos de ecstasy. Em todos os casos, ele desembarcou em Confins.
Os presos em flagrante no terminal da Região Metropolitana de Belo Horizonte são levados para uma área sob a guarda da Polícia Federal na Penitenciária Nélson Hungria, em Contagem. Só neste ano, segundo a PF, 15 jovens presos por tráfico internacional de drogas foram levados para o presídio. Eles são de várias partes do país, têm entre 22 e 31 anos de idade e, se condenados, podem passar até 15 anos atrás das grades.
Segundo Bruno Zampier, a maioria dos presos se arrepende após o crime. “Eles confessam que a vida deles a partir daquele momento está destruída. Ele sabe que ele vai passar pelo menos dois, três anos da vida dele encarcerado em um presídio com presos comuns. O alerta que a gente faz é: se você ouvir uma proposta dessa, por favor não a aceite porque o prejuízo que você vai trazer para sua vida profissional, afetiva e familiar, com certeza não vale esses possíveis R$ 20, R$ 30 mil que o sujeito iria receber”, falou.


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Att,
Polícia PELA ORDEM

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