Delegado e juíza respondem às acusações de Bruno

Integrantes da Comissão de Direitos Humanos e de Segurança já trabalham para tentar abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dedicada a investigar as acusações feitas por Ingrid Calheiros, noiva do goleiro Bruno Fernandes, sobre suposta cobrança de propina para facilitar libertação e fuga do atleta. Os parlamentares apurariam ainda a denúncia sobre ameaças que teriam sido feitas por policiais e a oferta de livrar o atleta das acusações na fase do inquérito em troca de dinheiro. Serão necessárias assinaturas de 26 dos 77 deputados para aprovação da CPI.

A comissão aprovou requerimentos, a maioria destinada à Corregedoria do Tribunal de Justiça, para que sejam quebrados sigilos telefônicos de todos os citados nas denúncias, além da realização de perícia técnica em fita de vídeo em que apareceria a alegada negociação de advogados. Parlamentares pediram o afastamento da juíza Maria José Starling até a conclusão das apurações. À Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) sugeriram a suspensão preventiva do advogado Robson Pinheiro.

Responsável pelas investigações que levaram à prisão o goleiro Bruno, o delegado Edson Moreira não quis comentar as acusações do ex-capitão do Flamengo, de que o policial exigiu R$ 2 milhões para livrá-lo das investigações e incriminar o fiel amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e o primo do atleta, o menor J., de 17 anos. Bruno afirmou, ainda, que o delegado fez ameaças às filhas dele. A juíza Maria José Starling e o advogado Robson Pinheiro já haviam negado envolvimento em qualquer irregularidade. A magistrada atribuiu a denúncia a uma suposta rixa com o deputado Durval Ângelo, condenado a pagar indenização por tê-la acusado num caso anterior.

Na terça-feira, depois do depoimento de Bruno, o ouvidor geral de Polícia, Paulo Alkmin, disse que a Corregedoria Geral vai abrir inquérito para apurar as denúncias. Edson Moreira limitou-se a dizer: “Só digo que trabalhei com seriedade, fazendo a coisa certa, e isso não me assusta. Pode me investigar quando quiser”.

O advogado de acusação do caso, José Arteiro, também negou que tenha oferecido seus serviços ao goleiro. Ele alegou que esteve na prisão a pedido de um cliente de quase 20 anos, que seria empresário de Bruno, para acompanhá-lo na cobrança de uma dívida de R$ 500 mil.

“Meu cliente não conseguiu entrar e me pediu para levar lá dentro a identidade dele e uma carta, cobrando o que o Bruno devia”, afirmou.

Em nota, a Secretaria Estadual de Defesa Social (Seds) afirmou que não há procedência na informação de que o goleiro não responde às cartas recebidas na penitenciária. E explicou que as visitas do advogado eram acompanhadas por um agente para evitar que Bruno precisasse se deslocar por dentro do presídio até o parlatório, já que ele estava em um local sem a sala reservada.

Paula Sarapu
Landercy Hemerson -
Publicação: 29/06/2011 07:05 Atualização: 29/06/2011 07:33

Fonte: www.em.com.br


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